14 de julho de 2010

O remédio - PLACEBO - nacional

Acabou a copa do mundo. O polvo estava certo, e embora tivesse conflito de interesses, dada sua constante e ilustre presença na paella espanhola, realmente a Espanha – merecidamente – ganhou. Quanto a nós, viemos para casa mesmo antes das semifinais. Por que viemos para casa tão cedo quando nos consideravam os favoritos? Será que é porque nós mesmos não nos considerávamos como tal? Ora, os jogadores ficaram nervosos... é natural. Afinal de contas, eles não ganham milhões de dólares para chutar a bolinha no gol. Ficaram nervosos... talvez pressionados pelo técnico saudoso da branca de neve... coitados. Ou quem sabe a culpa não tenha sido da bola – a jabulani – considerada uma esfera perfeita. Talvez tenha sido isto então... nós brasileiros não estamos acostumados a lidar com perfeições. Qualquer menino aqui aprende a jogar com bolinhas murchas e fazer de um pedaço de chão o melhor dos campos de futebol. Quando crescem e conseguem sobreviver do futebol... ah... eles conseguem manter o foco no próprio talento, mas perdem-no ao viajar para a copa. É a emoção.

Eu sei... talvez esteja sendo insensível demais. Talvez faça parte estarmos sujeitos às emoções em campo, pois somos – latinamente – um povo muito emotivo. Vibramos com as coisas. Não questiono que isto esteja errado, muito pelo contrário. Tenho orgulho desta nossa cultura. Vivemos uma vez só, e seria muito triste que no futebol brasileiro tivesse apenas “esquema tático”, sem a menor arte ou sem emoção e grandes euforias. Mas... tudo tem limite. O verdadeiro profissionalismo abriga em si o auto-controle. A hora de se dar margem à emoção é a hora do gol. Os espanhóis provaram isso e, modéstia a parte, jogaram como brasileiros. Esquecemos-nos de ser brasileiros em campo, assumindo uma das teorias disseminadas em nosso contexto - a teoria do vira-lata.

De qualquer forma, a Espanha não foi a grande protagonista nesta copa. Foi o polvo alemão. Para nós, diante das eleições que se aproximam, ficará a grande dupla de personalidades do ano: O Lula que não sabe de nada, e o Polvo que sabe de tudo. Perfeito.

Acho que minha revolta vai passar, mas não agora. Continuo achando que temos no Brasil os melhores jogadores do mundo. Podemos formar três ou quatro times se necessário. Mas a questão, é que como em tudo aqui, o problema é a gestão. Temos recursos... mas falta gestão. Sinceramente, acho que merecíamos esta vitória este ano, já que estamos próximos a uma derrota – inevitável – em breve. Nas próximas eleições, independente do vencedor eleito para presidência, o povo sairá derrotado. Estamos de braços amarrados sem grandes escolhas. Ah... como eu gostaria que o povo se tornasse o polvo... não por ser alemão, mas porque assim, mesmo com os braços amarrados, ainda teríamos outros para continuar agindo. Não temos como dar braços às nossas ideologias. Hoje, as ideologias são filhas da utopia.

Vamos aguardar mais quatro anos para nos vermos novamente diante do remédio popular chamado futebol. Ah você não sabia? Findada a copa do mundo, tornaram a encher as emergências. Foram registrados números significativamente menores de admissão nas emergências do país nos dias de jogo do Brasil. Certamente as pessoas não deixaram de ficar doentes por conta disto... mas seus sintomas foram amenizados, ou quem sabe trocados pela taquicardia, sudorese e sensação de pericardite constritiva durante os jogos da seleção.

Não acho errado que o Brasil pare em dias de jogos. Ao menos, temos que nos dar direito a isto, já que nossos próprios governantes não servem de exemplo algum. Só para citar brevemente, enquanto torcíamos pelo Brasil, nossos senadores se reuniam para votar aumento (exorbitante) dos próprios salários, conscientes de estarem fora do foco. O foco era a África do Sul.

Está formado o ciclo vicioso e defeituoso brasileiro de 2010: O povo que se focou nos jogadores (e eles voltam pra casa). Os jogadores que se focaram na bola (e não conseguiram dominá-la). A bola que se focou nas previsões do polvo (que acertou). O polvo que sabia de tudo, mas não conhecia o Lula. E... o Lula, que ao invés de focar no povo, nunca sabe de nada. Que venham as eleições sem opções. E que chegue logo 2014. Mas que o novo animal profeta não seja uma zebra. Quem sabe assim, sediando a copa, nosso povo se torne polvo... e acerte ao gritar: Brasil!!!
Andrea Pio

2 comentários:

Mauro Sueyro disse...

Andrea,
Acho que o Brasil continua sendo o pais do futebol em nome do passado. Vamos ver o futuro como sera. Espero que em 2014 escreva um texto sobre a vitoria do Brasil na Copa.
Aguardemos!
Cumprimentos,
Mauro

Celinda disse...

This is awesome!